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sexta-feira, 8 de março de 2013

Apocalipse 10:4


Texto bíblico: “Logo que os sete trovões falaram, eu estava prestes a escrever, mas ouvi uma voz do céu, que disse: ‘Sele o que disseram os sete trovões, e não o escreva’” (Ap 10:4, NVI).

A “voz do céu” aqui é um personagem diferente do anjo que segura o pequeno rolo. Este personagem introduz-se na narrativa novamente em Apocalipse 10:8 e é provavelmente também a voz passiva em Apocalipse 10:11 e muito do que se segue no capítulo 11.

Quando Deus fala e age de maneiras poderosas, um símbolo apropriado é o trovão. Mas os sete trovões não são escritos; portanto, podemos apenas especular sobre seu exato significado, mas podemos tirar algumas conclusões do uso do trovão no Antigo Testamento.
Sete trovões são encontrados no Salmo 29, um hino que descreve uma tempestade de trovões sobre as montanhas do Líbano como a voz de Deus:


“A voz do SENHOR ouve-se sobre as suas águas; o Deus da glória troveja; o SENHOR está sobre as muitas águas. 
“A voz do SENHOR é poderosa; a voz do SENHOR é cheia de majestade. 
“A voz do SENHOR quebra os cedros; sim, o SENHOR quebra os cedros do Líbano. 
“Ele os faz saltar como um bezerro; ao Líbano e Siriom, como filhotes de bois selvagens. 
“A voz do SENHOR separa as labaredas do fogo. 
“A voz do SENHOR faz tremer o deserto; o SENHOR faz tremer o deserto de Cades. 
“A voz do SENHOR faz parir as cervas, e descobre as brenhas; e no seu templo cada um fala da sua glória” (Salmo 29:3-9, NVI).
A tempestade de trovões é descrita em termos de “a voz do SENHOR” e as consequências dessa voz são poderosos atos de Deus. Assim os trovões do Salmo 29 provavelmente relembrem os poderosos atos de Deus nos tempos do Antigo Testamento: Criação, Dilúvio, Êxodo e assim por diante. Acredito que Apocalipse 10 tem uma alusão intencional ao Salmo 29.

Outro paralelo do Antigo Testamento é Jó 37:5 (NVI): “Com a sua voz troveja Deus maravilhosamente; faz grandes coisas, que nós não podemos compreender” (veja também Salmo 18:13). A conclusão destes paralelos do Antigo Testamento é que os sete trovões de Apocalipse são atos poderosos de Deus que são 1) decisivos e 2) não podem ser entendidos sem a revelação (Amós 3:7-8). Como mencionado em relação ao verso 3, os sete trovões parecem estar relacionados com profecia. Que haja sete trovões sugere que isto pode representar o julgamento final e complete de Deus sobre a terra. Este julgamento está oculto neste ponto do tempo porque há ainda mais para ocorrer na história da terra antes que o julgamento final possa ser apresentado em favor do povo de Deus. A dica da demora nos versos 6 e 7 apoiam a ideia de que o fim poderia ter vindo com os trovões se Deus não tivesse intervindo para tardar as coisas (Ap 17:17). Se as circunstâncias tivessem permitido, as profecias de tempo de Daniel teriam sido abreviadas.

Há um interessante paralelo do Novo Testamento para os sete trovões em João 12:28-30. Quando Deus falou com Jesus, foi com uma voz que soou como um trovão:


“Pai, glorifica o teu nome. Então veio uma voz do céu que dizia: Já o tenho glorificado, e outra vez o glorificarei.
“Ora, a multidão que ali estava, e que a ouvira, dizia que havia sido um trovão. Outros diziam: Um anjo lhe falou.
“Respondeu Jesus, e disse: Não veio esta voz por amor de mim, mas por amor de vós” (João 12:28-30, NVI).
O que é importante nesta passagem é que a voz de Deus falando como trovão em Jerusalém aconteceu logo antes da cruz. É significativo que no Evangelho de João a cruz é a maior revelação de Deus (uma teofania espiritual).

Em Apocalipse 14:2 o trovão é mencionado no contexto das três mensagens angélicas de Apocalipse 14:6-12. Uma vez que o trovão de João 12 chama a atenção para Jesus preparando-se para a cruz (versos 31-32), isso pode representar a proclamação final do evangelho, que ao que também se faz referência em Apocalipse 10:7.

Depois de os sete trovões soarem, a voz do céu diz para João selar o que os sete trovões disseram e não o escrever. Essa parece ser uma voz diferente da voz do poderoso anjo. É a voz de Deus? Isso faz sentido uma vez que a voz de Deus é largamente associada com o trovão na Bíblia. Aqui Deus troveja logo antes do período  a que se faz referência na próxima passagem do capítulo (versos 5-7).

De acordo com esse texto, as palavras dos sete trovões são seladas. O conceito de uma mensagem selada nos lembra três versos do livro de Daniel:


“A visão das tardes e das manhãs que você recebeu é verdadeira; sela porém a visão, pois refere-se ao futuro distante ” (Daniel 8:26, NVI).
“Mas você, Daniel, feche com um selo as palavras do livro até o tempo do fim. Muitos irão ali e acolá para aumentarem o conhecimento” (Daniel 12:4, NVI).
“Ele respondeu: ‘Siga o seu caminho, Daniel, pois as palavras estão seladas e lacradas até o tempo do fim’” (Daniel 12:9, NVI).
A última porção de Daniel não deveria ser entendida até o tempo do fim.

Não há outra referência no Apocalipse a “não escreva”. Ao invés disso há perto de uma dúzia de ordens para João escrever (Ap 1:11, 19 etc.). Apocalipse 22:10, de fato, especificamente ordena a NÃO selar as palavras da profecia deste livro. Você sela algo porque a mensagem não é relevante até um tempo posterior. Há coisas que o povo de Deus precisa saber e estas estão reveladas, mas há também coisas que não são úteis para que eles saibam (Dt 29:29) e elas não são reveladas. Os sete trovões pertencem a esta última categoria (cf. 2Co 12:2-4). Porque os sete trovões não foram revelados? Ellen White explica (no Seventh-Day Adventist Bible Commentary, vol. 7, p. 971) que “não era melhor para o povo conhecer estas coisas, pois sua fé deve necessariamente ser testada”. Essa é uma boa explicação quanto qualquer outra que tenho ouvido.

A mensagem para selar relembra Daniel e contrasta com o restante do Apocalipse. Em Daniel 8:26 a visão deve ser selada e essa ação é confirmada em Daniel 12:4 e 9. No Apocalipse, por outro lado, há cerca de uma dúzia de ordens para João escrever, como em Apocalipse 1:11, 19 e 22:10. A razão dada para não selar é que “o tempo está próximo” (Ap 22:10).

Em Daniel, a mensagem deveria ser selada até o tempo future. No Apocalipse, a ordem para selar os trovões é única porque João é diferentemente ordenado a não selar a visão e a escrevê-la. A diferença entre a parte selada de Daniel (capítulos 8-12) e o livro do Apocalipse era que TUDO o que João escreveu era relevante para a primeira geração. Mas, aparentemente, os sete trovões lidam com algo totalmente além do tempo de João e do tempo de seus leitores.

Publicado originalmente por Jon Paulien.

Traduzido por Clacir Virmes Junior.

Nota: Para saber um pouco mais sobre esse comentário, leia aqui.

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