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terça-feira, 26 de março de 2013

Apocalipse 10:7


Texto bíblico: “Mas, nos dias em que o sétimo anjo estiver para tocar sua trombeta, vai se cumprir o mistério de Deus, da forma como ele o anunciou aos seus servos, os profetas” (Ap 10:7, NVI).

Há uma dica neste verso sobre a demora da segunda vinda. O anjo diz: “Não haverá mais demora [tempo]! Mas, nos dias em que o sétimo anjo estiver para tocar sua trombeta, vai se cumprir o mistério de Deus” (Ap 10:6-7). Os mileritas imaginaram que a vinda de Jesus estava perto porque as profecias de tempo tinham acabado. Mas o fim não veio. Mesmo que não houvesse mais tempo, seria apenas nos dias do sétimo anjo que o fim viria.

Está claro pelo texto que a sétima trombeta soa bem na última parte da história da terra. Quando o sétimo anjo estiver para tocar, o mistério de Deus será cumprido-terminado. O soar da sétima trombeta, contudo, não ocorre até Apocalipse 11:15. A ideia do “mistério de Deus” tem sua raiz em Daniel, onde Deus revela para Nabucodonosor mistérios com relação ao futuro que estivera oculto para os sábios de Babilônia (Dn 2:27-29, 44-45; cf. Am 3:7). A expressão está espalhada pelo Novo Testamento. É uma mensagem trazida ao mundo através de Cristo (Rm 16:25-26), equivalente ao evangelho (Cl 1:25-28; cf. Ef 6:19). Através do evangelho, a porta do céu foi aberta para todos, incluindo tanto judeus quanto gentios (Ef 3:3-6; 1Tm 3:16).  Este conceito de mistério é ilustrado pelo rolo selado em Apocalipse 5, que é aberto para ser visto no Livro do Apocalipse, mas permanece fechado para aqueles que rejeitam as revelações de Deus. A completa, visível e final revelação do “mistério de Deus” ocorrerá na consumação final (Ap 11:15-18; 20:11-15).

A associação entre o mistério e o evangelho é confirmada pelo verbo “anunciou” em Apocalipse 10:7, que é a forma verbal do substantive traduzido por “evangelho”. Apocalipse 10:7, portanto, descreve uma grande proclamação final do evangelho logo antes do soar da última trombeta, ao mesmo tempo que os ímpios estão se preparando para o Armagedom (Ap 9:13-21; cf. Ap 16:13-16). Esta proclamação final corresponde ao primeiro anjo voando no céu proclamando o evangelho eterno (Ap 14:6-7). A proclamação final do evangelho é feita à luz das profecias de tempo no livro de Daniel.

Há 17 referências aos “servos, os profetas” no Antigo Testamento. A mais interessante delas é Amós 3:7, onde isso está ligado à ideia de um leão rugindo. Isso levanta a possibilidade de um leve paralelo estrutural com Amós 3 em Apocalipse 10:3-7. Isso poderia sublinhar o foco na profecia bíblica em Apocalipse 10.

Esta proclamação final do evangelho chega ao fim logo antes de o sétimo anjo tocar sua trombeta. Assim o soar da sétima trombeta assinala o fim da provação humana e um irreversível início dos eventos finais. O evangelho tem sido apresentado por “Seus servos, os profetas” (Am 3:7-8) por 2.000 anos, mas nos últimos dias da história da terra será proclamado no contexto da profecia bíblica. Por isso o estudo do Apocalipse é importante hoje.

O “mistério de Deus” aqui não apenas retrata a proclamação final do evangelho, mas estabelece sua contrafação, o “mistério” de Babilônia, que é claramente  expresso em Apocalipse 17:6. Assim a proclamação final do evangelho ocorrerá em conflito com uma contrafação do evangelho (cf. Ap 13:7; 16:13-14).

Comentário de Ellen G. White sobre essa passagem: “Esse tempo, que o Anjo mencionou com solene juramento, não é o fim da história deste mundo, nem do tempo de graça, mas do tempo profético, que precederia o advento de nosso Senhor. Ou seja, o povo não terá outra mensagem com tempo definido. Após o fim desse período de tempo, que vai de 1842 a 1844, não pode haver um traçado definido de tempo profético. O mais longo cômputo chega ao outono de 1844” (Cristo Triunfante [MM], p. 343).

Não sabemos quando Jesus virá, mas Apocalipse 10 sugere que já entramos no período da história quando Sua vinda está especialmente próxima, “o tempo do fim”. Em tempos como esses, a decisão torna-se mais importante: não há tempo para demora ou indecisão. Dito isto, contudo, devemos notar que Deus tem sempre descrito o fim como próximo (Ap 1:3). Cada geração necessitou saber que Jesus estava voltando em breve para que elas levassem a sério suas oportunidades de decisão. Mas a Palavra de Deus sempre conteve as sementes de um significado mais profundo. Os discípulos esqueceram as pistas de que o tempo continuaria e pensaram que a cruz e a ressurreição seriam o fim do mundo (At 1:6-7).

Publicado originalmente por Jon Paulien.

Traduzido por Clacir Virmes Junior.

Nota: Para saber um pouco mais sobre esse comentário, leia aqui.

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